Pablo Schenfeld, embaixador de perfume Dior: dicas sobre fragrâncias

Por Maria Cecília Prado em 25/04 | 1 |

Da maquiagem para a perfumaria. Essa foi a trajetória do argentino Pablo Schenfeld, que entrou na Dior para trabalhar com batons, blushes e outros makes mas acabou se apaixonando perdidamente pelo mundo das fragrâncias. Hoje, ele é um embaixador internacional de perfume – um dos doze especialistas eleitos pela maison para falar sobre o tema mundo afora – e está sempre por dentro das novidades mais quentes sobre o assunto. Aproveitamos sua visita recente ao Brasil (Pablo veio apresentar o lançamento J’Adore in Joy) para usar toda a sua expertise a nosso favor: fizemos uma entrevista exclusiva e checamos o que há de moderno e bacana quando a ideia é sair por aí deliciosamente perfumada. Confira as dicas do especialista!

Beauty Editor: Conta para a gente: o que o novo J’Adore In Joy tem de diferente em relação ao J’Adore original e ao J’Adore Eau de Toilette, que já existiam?
Pablo Schenfeld: O J’Adore Eau de Parfum, lançado em 1999, é um buquê floral construído em torno da rosa e do jasmim. O J’Adore Eau de Toilette, de 2011, é mais leve, a nota perfumada que se destaca é o neroli [flor de laranjeira]. E o lançamento, J’Adore in Joy, tem um toque totalmente inovador: traz uma nota inspirada na flor de sal, inédita, que faz duas coisas muito interessantes pelo perfume. A primeira é potencializar tanto o lado floral como a faceta frutal da fragrância. A segunda é acrescentar sensações muito agradáveis ao resultado final: você inspira e logo pensa em uma caminhada de final de tarde na praia, em momentos felizes e relaxantes à beira mar.

Outro fato curioso a respeito do novo perfume é que, enquanto a maioria das fragrâncias inclui pelo menos 80 notas perfumadas, ele é elaborado com uma paleta de aromas mais enxuta. François Demachy [perfumista da Dior] não revela exatamente quantas, mas garante que o número de notas utilizadas foi bem menor. A ideia, aqui, é trocar quantidade por expressividade. Buscar uma elegância mais simples e muito bem construída.

BE: Quando você mencionou o neroli, me lembrei de uma dúvida antiga que tenho: quando estamos falando em aromas, qual a diferença entre neroli e flor de laranjeira?
PS: Flores de laranjeira existem muitas. Já o neroli é um tipo bem específico dessa flor: aquela colhida dos pés de laranja amarga. Exala um perfume mais fresco e, obviamente, mais amargo do que as outras florzinhas da mesma família.

BE: Há alguma tendência em que a gente deva ficar especialmente de olho?
PS: Sim, a dos perfumes gourmand: eles vieram para ficar. Mas se a “receita” para criar uma fragrância gourmand é mais ou menos conhecida – incluir fava tonka, chocolate, baunilha e outras notas docinhas na harmonia –, o grande desafio das marcas é como fazer isso de uma maneira original. Porque hoje as mulheres não querem que um perfume lembre outro; pelo contrário, o que desejam é a diferença, é um aroma que tenha muita personalidade e traga alguma novidade.

(Quer checar alguns perfumes gourmand lançados nos últimos tempos? Então dá uma lida neste post aqui!)

BE: Tenho notado que a lavanda voltou a ser muito utilizada na perfumaria. Em que tendência isso se encaixa?
PS: Nesse caso a tendência é outra, a de trabalhar notas perfumadas conhecidas de uma maneira inovadora. Pegar um cheiro que faz parte da memória das pessoas e apresentá-lo de um jeito surpreendente, até mesmo inesperado. Pode reparar: a lavanda está surgindo associada, por exemplo, a notas gourmand, como a baunilha e mel. Não perde aquela característica de conforto e frescor que costuma transmitir, mas fica mais quente e até mais interessante.

BE: Que outras novidades pode dividir com a gente?
PS: As notas naturais estão com tudo neste momento! Hoje, se usa bem menos aquelas desenvolvidas em laboratório; a proposta é ter bons fornecedores e utilizar ingredientes vegetais (flores, em especial) de extrema qualidade, cultivados e colhidos de acordo com as exigências das grifes e das casas de fragrâncias. E cada vez há menos álcool nas composições. Sabe aquela história de você borrifar um perfume no pulso e sentir imediatamente um cheiro meio alcóolico? Isso está deixando de ocorrer. Proporcionalmente, hoje se usa muito mais matéria prima na criação de um bom perfume.

Foto: arquivo pessoal Maria Cecília Prado

 

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