Francesca Tolot, maquiadora das celebridades e artista dos pincéis

Por Maria Cecília Prado em 08/07 | 1 |

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Oportunidades únicas a gente agarra e aproveita. Uma delas eu tive esta semana, ao entrevistar, a convite da MAC, a maquiadora italiana Francesca Tolot. Talvez você ainda não tenha ouvido falar nela, mas ver exemplos de sua arte, certamente viu. Beyoncé de batom vinho e olho poderoso no clipe Haunted? Foi Francesca quem criou o look. Christy Turlington em anúncios para o perfume Eternity? Idem. Julianne Moore, Eva Longoria e de novo Beyoncé em campanhas para L’Oréal Paris? Sim, a beleza foi ela quem fez. Isso sem contar capas e editoriais para revistas, vídeos com Madonna, trabalhos autorais… Francesca veio ao Brasil para dar uma masterclass de maquiagem e participar da inauguração da nova loja MAC na Avenida Paulista, aqui em São Paulo. E, entre um compromisso e outro, deu uma entrevista exclusiva para o Beauty Editor. O resultado da conversa – comprida, deliciosa e recheada de dicas – você pode conferir neste instante!

Maria Cecília Prado: Vamos começar a conversa falando sobre um tema polêmico. Durante sua masterclass, você contou que detesta a onda de contorno facial que atingiu a maquiagem. Poderia explicar por que?
Francesca Tolot: O contouring, ou contorno facial, vem sendo utilizado e valorizado muito além do que deveria. Não há necessidade nenhuma de fazer tanto contorno na maquiagem! Definir o formato do rosto criando um jogo de claro e escuro é um truque para fotos, feito para funcionar em determinados ângulos e sob uma determinada luz. Usar o mesmo tipo de recurso em casa e sair à luz do dia maquiada dessa forma é perigosíssimo: a face vai ficar marcada e os outros vão enxergar tudo o que você fez. Sem contar que quando você abusa do contorno, não fica nem elegante, nem jovem, muito menos feminina.

MCP: Quer dizer que você nunca usa as técnicas de contorno quando maquia uma celebridade para um evento social ou para o red carpet?
FT: Uso, mas só quando é realmente preciso, quando o rosto exige um pouco mais definição. E faço isso de uma maneira muito sutil, do meu jeito. Prefiro, em vez de trabalhar com pós, aplicar duas bases de tom ligeiramente diferente – isso cria profundidade e desenha os traços de uma maneira bem mais delicada e eficiente. E esfumo muito, muito, muito. Para o truque funcionar, nenhuma linha ou limite pode ficar evidente.

MCP: Então os pós não entram nessa etapa da maquiagem?
FT: Quando se fala de contorno, eles podem aparecer como um retoque, um detalhe de finalização. Pinceladas leves de bronzant e de iluminador eventualmente funcionam como um toque final. E, é óbvio, um pó facial sempre pode ser utilizado após você terminar tudo, para selar a maquiagem. Mas aí estamos falando de outro tipo de produto – dos pós translúcidos, feitos especificamente para fixar e matificar.

MCP: Já que o assunto passou para os pós, poderia contar para a gente como usar um pó facial sem deixar a pele com aspecto sem vida? Nós, brasileiras, temos uma necessidade grande de manter a maquiagem sequinha ao longo do dia, pois o clima por aqui é quente. Como dá para fazer isso sem comprometer o frescor do visual?
FT: A primeira medida é escolher bem o pó facial que você vai usar. Quanto mais translúcido, melhor: o efeito ficará menos perceptível. Outra atitude certeira é não tentar aplicar todo o pó que você vai precisar de uma única vez. Então, no começo do dia, pegue leve: pincele apenas a dose necessária para chegar bem ao fim da manhã. Depois, vá fazendo retoques quando for preciso. Resista à vontade de carregar na quantidade de produto e o resultado será muito melhor!

MCP: Qual é o melhor acessório para aplicar pó: pincel ou esponja?
FT: Ao finalizar um look, costumo usar uma esponja fofa [powder puff], acho que distribui melhor o produto. Ao longo do dia, recomendo reaplicar com pincel – ou, melhor ainda, utilizar uma folhinha de papel matificante [blotting paper] para fazer o retoque. Elimina o excesso de brilho sem deixar nenhum resíduo.

MCP: Também durante a masterclass vi você fazer uma coisa que me surpreendeu: aplicar pó facial na pálpebra superior, para fixar o esfumado feito a lápis. Isso não marca as linhas de expressão?
FT: Se você optar por um produto bem fino e for econômica na quantidade, não. Esse é um truque muito útil para fazer o esfumado feito com lápis, kajal ou outro produto cremoso durar mais na pálpebra. Pincele de leve o pó facial sobre o esfumado e não se preocupe se ele ficar um pouco opaco no primeiro momento: em instantes o pó será incorporado ao make e a cor recuperará a sua intensidade – e terá vida muito mais longa.

MCP: Mais algum segredo para manter a pele e o make perfeitos ao longo do dia?
FT: Se você perceber que a maquiagem está perdendo o glow, uma boa dica é embeber uma esponja triangular de látex com água termal e utilizá-la para pressionar de leve as áreas que estão ressecadas. A pele recupera a vitalidade e o make ganha novo frescor.

MCP: Para fechar a conversa, uma última pergunta: qual o segredo para criar uma maquiagem de festa sem ficar over?
FT: Lembrar-se de que mais maquiagem nem sempre é mais glamour. Use aquilo que sempre fica bem em você e modifique apenas um detalhe – acrescentando uma boca poderosa, por exemplo – para dar aquele upgrade necessário ao look. Um batom intenso – especialmente se for vermelho, mais especialmente ainda se for opaco – é luxo garantido em qualquer produção.

Plus da entrevista: três fotos com trabalhos da Francesca. A montagem é uma reunião de imagens de seu livro One Woman, 100 Faces – um trabalho incrível no qual uma mesma modelo, a americana Mitzi Martin, aparece clicada exibindo 100 maquiagens completamente diferentes (as fotos, feitas por Albert Tolot, marido de Francesca, foram realizadas ao longo de 20 anos). As outras duas eu fiz durante a masterclass MAC de segunda-feira – as modelos foram preparadas pela maquiadora especialmente para a apresentação.

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A modelo Mitzi Martin na capa e em três looks publicados no livro.

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Maquiagem supercolorida para a masterclass MAC.

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Toneladas de glitter all over: maquiagem corporal estonteante, desfilada também na masterclass.

Fotos: Maria Cecília Prado e reprodução livro One Woman 100 Faces

 

 

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