Blog das convidadas

Julia Fernandez

As convidadas 1/3

Costumo brincar e dizer que sou uma “cheiradora profissional”. E, jogo de palavras à parte, a verdade é que estou sempre procurando um novo frasquinho de perfume pra cheirar e decodificar o que têm lá dentro. Sempre fui apaixonada por perfumes, mas foi somente após me formar em Desenho Industrial que decidi trocar os projetos de automóveis pelo criação olfativa. Desde 1998 trabalho no desenvolvimento de fragrâncias e em 2007 fui transferida para Nova York para trabalhar com Design Olfativo. Em paralelo, fiz MBA em Gestão de Marcas de Luxo e tudo o que aprendi no curso agora me ajuda a analisar o frenesi de lançamentos – que não para um só minuto. Aqui no meu espaço dentro do Beauty Editor quero, além de explorar o universo das novidades, trazer pra vocês em primeira mão aquelas tendências que mal despontaram no mercado. E, claro, falar de outras gostosuras desse mundo cheirosérrimo – e delicioso demais.

Perfumes, glamour e emoção: filmes de fragrâncias dignos de Oscar

Diretores consagrados dirigem comerciais inesquecíveis para nossos perfumes prediletos!

Por Julia Fernandez em 06/07 | 0 |

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Cada perfume narra uma história. E, para enaltecer os sentidos e traduzir a inspiração dos artistas envolvidos em criar aquela composição única, muita coisa conta. Os valores da marca entram com o DNA, o coração da narrativa; o diretor artístico contribui para que o frasco possa evocar de forma visual esse enredo; e o perfumista traduz todos estes elementos em uma poesia olfativa.

Mas ainda existe um outro elemento superimportante, que entra em ação quando um lançamento é apresentado ao público. É a campanha publicitária, que serve para comunicar os elementos da criação do perfume. Às vezes ela é mais tímida, aparece somente no website da empresa. Em outras, tem um investimento significativo e acaba se tornando um material digno de competir em um Oscar (ou quase!).

Para não cair no clichê, os diretores artísticos (que também estão envolvidos na publicidade) têm que pensar em como trazer um elemento de surpresa, mas sem fugir da proposta da marca, e também em responder a perguntas cruciais no desenvolvimento da campanha… Se o perfume fosse uma pessoa, quem ela seria? Se fosse uma história, como seria contada? Se fosse um (ou mais) elemento (s) da natureza, como seria (m) retratado (s)? Qual o grand finale dos personagens? Será que eles contam para o espectador a sensação que vão sentir ao aplicar o perfume?

Imaginem que todo ano, por volta de 1500 perfumes são lançados mundialmente pelas grandes marcas de perfumaria (isso sem contar as marcas nacionais de cada país), e todo ano muitos desses lançamentos vêm acompanhados com a respectiva publicidade. Somente alguns se destacam por provocar um impacto único… seja pela história que contam, seja pela estética absurdamente linda que apresentam. É aí que nascem os supercomerciais. Vamos conferir alguns dos internacionais mais bacanas?

 

Em 2004, a Chanel lançou o comercial do perfume Chanel n. 5 desenvolvido pelo espetacular diretor de cinema Baz Luhrmann. O perfume é um clássico por si só, o ícone de maior elegância e feminilidade na história de toda perfumaria, que traduz o espírito da Chanel. Ao longo da história de comunicação dos perfumes da Chanel, sempre vimos grandes estrelas, como Marilyn Monroe, Catherine Deneuve, Suzy Parker e Carole Bouquet, “abraçarem” o Chanel n. 5. Em 2004, foi a vez da superstar australiana Nicole Kidman estrelar o comercial, que foi um dos mais caros da história da perfumaria, custando 12 milhões de dólares para ser produzido.  Nicole e o nosso galã made in Brazil Rodrigo Santoro vivem um breve romance, retratado de maneira mágica, em uma cidade fictícia “à la Chanel”. O encontro amoroso, que dura pouquíssimo e termina com um choque de realidade, também põe em evidência o que é ser mulher nos tempos modernos… a alegria, os encontros, desencontros, e a fragilidade feminina, sempre em busca de um grande amor. Baz Luhrmann ficou conhecido por filmes como Romeo e Julieta e Moulin Rouge, onde um mundo de fantasia é contruído com uma estética de cair o queixo, e cada detalhe visual e sonoro trazem um impacto único, encantando os espectadores.

 

Em 2004, Miuccia Prada lançou o primeiro grande perfume da Prada. O desenvolvimento do projeto durou aproximadamente 5 anos, o que é raro nos dias de hoje no mundo dinâmico de uma perfumaria. A fragrância é elegantérrima, com doses generosas de patchouli e âmbar, envolvidos com notas de sândalo e resinas. A embalagem também traduziu o DNA da marca: linhas ultramodernas e um aplicador vintage, daqueles com borrifador arredondado, que parece vindo diretamente dos anos 1930.

O comercial foi comissionado para o diretor inglês ultra cool Ridley Scott e sua filha, a também diretora Jordan Scott. O trabalho de Ridley você deve conhecer… ele é o rei do sci-fi noir com produções como Blade Runner, Alien, road movies inspiradores como Thelma e Louise e, mais recentemente, dirigiu Perdido em Marte, com Matt Damon.

Miuccia Prada queria traduzir a complexidade de ser mulher, e em resposta ao pedido, Jordan Scott apresentou a Miuccia um poema do século I, entitulado O Trovão: a Mente Perfeita. O extenso e enigmático monólogo discorre sobre uma série de afirmações paradoxais sobre a natureza feminina. O texto é maravilhoso… contém trechos como “Pois eu sou o saber e a ignorância. Pois sou eu que é familiar: e a falta de familiaridade. Sou eu a reticência: e a franqueza. Eu sou a força e eu sou o medo. Eu sou a guerra e a paz.”

No comercial filmado em Berlim, a modelo canadense Daria Werbowy é a mulher que aparece em múltiplas personalidades: a esposa, a virgem, a mãe, a filha, a amante. O filme também vai evocando aos poucos a estrutura do perfume: inicia-se quieto, elegante e fresco como uma manhã em Berlim, com a figura de Daria, que usa um vestido ultrafeminino, remetendo às pétalas das flores utilizadas na composição, como a mimosa e rosa. A medida que o filme vai progredindo, o jazz ao fundo, que começou calminho, vai se tornando mais potente, mais ousado e mais feminino, revelando a personalidade marcante e multifacetada do perfume e a dança entre patchouli, sândalo e resinas. Simplesmente maravilhoso.

 

Miuccia Prada seguiu em 2014 com a parceria com diretores de cinema, com o commercial superfofinho do Prada Candy L’Eau, dirigido pela dupla Wes Anderson e Roman Coppola. Wes Anderson é o mestre das cores cinquentinhas e dos enquadramentos perfeitos. Seus filmes são absolutamente incríveis, divertidos e a estética e uso das cores, bem peculiares. Muito provavelmente você deve ter visto Os Excêntricos Tenenbaums, A Vida Marinha de Steve Zissou, Moonrise Kingdom e, mais recentemente, O Grande Hotel Budapeste. Roman Coppola foi o escritor de alguns filmes em comum com Wes Anderson, e juntos filmaram o Prada Candy, que revela uma mocinha muito francesa, cheia de vida e mistério e bem moderninha.

 

Em 2011, a Maison Dior contratou o diretor esquisitão David Lynch para rodar a campanha da marca, para o lançamento de Lady Blue, uma coleção de moda e produtos de beleza que estava naquele momento expandindo no mercado asiático. Lady Blue é personificada pela atriz francesa Marion Cotillard, e o filme segue com todas as características que um bom filme de David Lynch tem que ter: boas pitadas de mistério, non-sense e protagonistas que não sabem se estão vivendo a realidade ou um flashback.

Você assistiu ao filme noir Sin City, de Frank Miller? Então.. o Gucci Guilt , lançado em 201o, segue exatamente nesta temática de ação, perigo e sedução em cores e formatos que parecem saídos diretamente de uma história em quadrinhos, com trilha sonora de Depeche Mode e estrelando Evan Rachel Wood e Chris Evans. Fala sobre uma supermulher poderosa, guiada por paixão e mistério.

 

Dolce & Gabbana são conhecidos por sempre prestarem homenagem aos valores tradicionais da família italiana em toda produção artística e editorial. Não poderia ser o contrário com os perfumes da marca. No comecinho deste ano, Domenico Dolce e Stefano Gabbana delegaram a Giuseppe Tornatore a direção, e à Sophia Loren um dos principais papéis, no filme do lançamento de Dolce Rosa Excelsa. O comercial é superromântico e extravagante, uma epítome da experiência e da cultura italiana. Sophia Loren representa a matriarca de uma enorme familia italiana, trabalhando na restauração de uma vila siciliana, com direito a muitos italianos sem camisa, e, lógico… romance!

 

Steve McQueen é um dos diretores mais inteligentes e sensíveis desta nova geração. Foi ele quem dirigiu Doze Anos de Escravidão e os intensos Hunger e Shame. A intensidade dramática dos personagens, e especialmente o uso da luz e dos ângulos típicos de McQueen deram um toque especial ao comercial do Mr. Burberry, lançado este ano e que sempre se ateve aos valores britânicos da marca, e que vêm trazendo altas doses de sensualidade em suas últimas campanhas.

Para dar um super up na marca, Nina Ricci lançou o perfume L’Extase em 2015, que veio acompanhado de um comercial very sexy, dirigido pelo diretor Gordon von Steiner (um mega diretor de moda, que trabalha pras marcas mais tops do mundo). No filme, a top Laeticia Casta representa uma mulher superpoderosa, lindíssima, que, ao se deparar com um bonitão no elevador, sente uma tensão sexual poderosa entre os dois. O comercial carrega as características de fotografia do diretor, que é o mestre em tensões sexuais, o uso perfeito de luminosidade e sombras, e close ups de pele que são de tirar o fôlego ! Tudo isso na trilha sonora mara de Portishead.

Quais do comerciais você curtiu mais? Tem outros bacanas de que se lembre? Compartilhe aqui nos comentários!

Filmes: campanhas marcas

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