Cosméticos orgânicos: novos produtos para pele, maquiagem e cabelo

Por Maria Cecília em 06/06 | 0 |

O que pode ser considerado natural, orgânico ou vegano quando o assunto envolve beleza – ou seja, produtos para a pele, o cabelo e a maquiagem? Está aí uma pergunta que fiquei me fazendo nos últimos meses. Isso aconteceu depois de eu ser apresentada em sequência a três novas marcas de cosméticos – a Face It, a Simple Organic e a Souvie – e descobrir que todas elas chegavam ao mercado com uma pegada parecida, propondo fórmulas com ingredientes preferencialmente vegetais, o mais livres possível de componentes químicos e não testadas em animais. Muito alinhadas, enfim, com um movimento cada vez mais encorpado no mercado internacional: o de se investir em cosméticos naturais e ecologicamente corretos. Então, antes de ser atropelada por mais novidades do gênero, achei melhor ir procurar respostas para as minhas dúvidas. Afinal, se eu, que trabalho com beleza há muitos anos, tinha tantas questões sobre o tema, imagina quem não é tão íntima assim do assunto e começa a se deparar com esse tipo de produto nas prateleiras? Melhor entender direito para depois poder consumir melhor, concorda?

O que diz a lei?

A primeira informação oficial que obtive em minhas investigações foi bem surpreendente: não existe uma legislação aqui no Brasil que defina precisamente o que são e o que devem conter esses produtos de beleza. O dado foi transmitido pela Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, órgão que cuida da regulação de medicamentos, alimentos e também de cosméticos em nosso país.

Mas como é que a gente descobre se está no caminho certo quando quer comprar um produto natural e com filosofia ecoconsciente? E como faz para ter segurança de estar levando para casa itens de beleza de uma marca séria, que entrega aquilo que está prometendo? Conversando com a própria Anvisa, com essas novas empresas que acabaram de ser lançadas e também com a Priscila Hauffe, coordenadora na agência certificadora Ecocert, consegui chegar a algumas coordenadas úteis para nos ajudar nessa missão. Confira as minhas conclusões – e depois aproveite para dar uma olhadinha nos lançamentos recentes das grifes que mencionei no primeiro parágrafo.

Veganos – estes são fáceis de entender

Começando pela parte mais fácil, então. A categoria Vegana é a mais simples de entender, já que ela só exige duas coisas do fabricante: que seus produtos de beleza não contenham ingredientes de origem animal e não sejam testados em animais (em outras palavras, que sigam a política cruelty free). Um cosmético pode ser 100% vegano e ainda assim conter vários ingredientes sintéticos – ou até mesmo ser sintético por completo! Ou seja, vegano, em beleza, não tem obrigatoriamente nada a ver com vegetal. Não faça essa confusão!

Uma boa pista para checar se o cosmético é vegano mesmo é procurar por selos que atestem isso impressos na embalagem. O da organização PETA, que tem um coelhinho desenhado, é o mais famoso.

Orgânicos – a chave do mistério costuma estar no rótulo

Um produto de beleza orgânico deve ter 95% de ingredientes naturais em sua composição e no máximo 5% de componentes sintéticos. E, do total dos ingredientes, ao menos 20% precisam ser orgânicos e certificados. Como já falei lá no comecinho, esses parâmetros não estão definidos em nenhuma lei/regulamentação aqui no Brasil. Mas, como essas são as recomendações da COSMOS (entidade belga que reúne as cinco principais agências certificadoras europeias – inclusive a Ecocert, a que tem a presença mais forte no Brasil), elas acabaram virando uma espécie de consenso entre órgãos e empresas de beauté envolvidos com a questão dos orgânicos. Em outras palavras, se o produto tem, na sua embalagem, o selo de certificação Ecocert (ou então um selo da Cosmebio, da BDIH, da ICEA ou da Soil Association), isso significa que no bom caminho ele está.

Em tempo: uma das principais agências certificadoras nacionais, a IBD, exige que um produto tenha o percentual de 95% de ingredientes orgânicos para que possa estampar o seu selo na embalagem.

Naturais – aqui, fique atenta!

Em tese – de acordo com as recomendações de órgãos como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, que orienta fabricantes) e de agências certificadoras –, os cosméticos naturais são aqueles que trazem no mínimo 95% de componentes naturais em sua fórmula. Além disso, para se autointitularem naturais, eles não podem incluir substâncias proibidas para esse tipo de produto (a lista é longa e inclui corantes, conservantes e fragrâncias sintéticos, derivados do petróleo e do propileno, silicone e amônia, entre outros).

OK, isso significa que todos os produtos de beleza que trazem o termo natural no rótulo seguem religiosamente esses princípios? Não obrigatoriamente. É que, se inclui algum tipo de matéria prima natural na composição de seus cosméticos, uma empresa pode afirmar, sem estar cometendo nenhum crime, que fabrica um cosmético natural… quando, para ser estritamente fiel ao conceito, ela faz um cosmético à base de produtos naturais (considerando-se, aqui, produto como sinônimo de ativo).

Muitas vezes, essa confusão ao rotular e promover itens de beleza como sendo naturais nem ocorre por má fé do fabricante – é por desconhecimento mesmo, já que, como você deve ter percebido, o conceito é complexo e muito pouco divulgado. Para acontecer algum mal entendido é um pulinho… então, o melhor é a gente prestar atenção mesmo, fazer a nossa parte.

Bom, antes de falar das três novas marcas, vale contar só mais uma coisinha: já existe um grupo composto por empresas, pela Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) e pela própria agência Ecocert que tem o objetivo de propor normas para finalmente se regulamentar a fabricação de cosméticos orgânicos e naturais no Brasil. Mas, enquanto a coisa não anda, continua sendo nossa missão fazer direito a tarefa de casa. Na hora de comprar, leia o rótulo, verifique a quantidade de ingredientes naturais existente na fórmula (quanto maior, melhor), cheque se há selos certificadores na embalagem… Continua sendo a melhor maneira de ficar satisfeita com a sua compra!

E agora… vamos às marcas, não é?

Face It: carioca sangue bom

Call Me Maybe, um vermelho vibrante.

 

Hard to Get, um nude frio levemente rosado.

 

Day After, meio laranjinha.

Focada, por enquanto, em batons (os três acima são as minhas cores favoritas!), a Face It pode ser classificada como vegana. Ela nem usa ingredientes animais, nem faz teste nos bichinhos. Criada por Elza e Júlia Barroso, mãe e filha cariocas, inclui também vários componentes naturais e orgânicos e é livre de chumbo, sulfato, alumínio, parabenos e derivados de petróleo. Uma proposta séria e uma escolha bem bacana, apesar de não se encaixar exatamente 100% nas definições de natural e orgânico que expliquei anteriormente (a marca, inclusive, nem alardeia ser orgânica ou natural em sua comunicação).

Souvie: delicadeza nas fórmulas

Sérum, xampu, mousse de limpeza facial, hidratante de uso noturno e…

…também hidratante corporal, óleo corporal, condicionador e creme para as mãos. Estes são os produtos da linha Ser, da Souvie.

Esta marca brasileira que já existe há dois anos e que começou a ficar conhecida por causa de seus produtos de beleza e higiene específicos para bebês e grávidas, lançou recentemente uma linha para a pele do rosto e do corpo e com alguns itens para o cabelo. Certificada pela Ecocert, tem fórmulas superdelicadas, que se encaixam no conceito de beleza orgânica. Fiquei especialmente apaixonada pela loção hidratante corporal, que é muito leve e fácil de espalhar – e bem eficiente no cuidado com a pele. Você pode ler uma resenha mais detalhada sobre ela aqui.

Simple Organic: maquiagem e cuidados com certificação

Hidratante corporal de jabuticaba: fragrância e textura superagradáveis!

BB Cream da Simple Organic: este, eu ainda não experimentei.

As novas cores de batom que estão chegando ao e-commerce da marca.

Foi o nascimento da filha, Maya, quase quatro anos atrás, que estimulou a catarinense Patricia Lima a fundar a Simple Organic. Nos primeiros meses de vida da pequena, Patricia tinha receio de causar alguma alergia a ela por estar usando produtos de beleza. Essa preocupação, mais a vontade de adotar uma vida mais natural, mais simples, depois da gravidez, a motivaram a pesquisar e a criar sua própria linha certificada orgânica (o selo, no caso da Simple Organic, também é o da Ecocert).

A marca foi lançada em março, com itens de maquiagem, mas logo depois passou a oferecer também hidratantes faciais e corporais (o creme corporal de jabuticada é tão, mas tão cheiroso, que dá vontade de comer direto do pote – coisa que, obviamente, não deve ser feita!). Novas cores de batom estão chegando ao e-commerce da marca esta semana.

As veteranas e a feira sobre o tema

Para terminar o post, vale lembrar de duas marcas de beleza que não são novas, mas que também trilham com seriedade caminhos mais naturais – e das quais gosto muito. A primeira é a alemã Weleda, que se autoclassifica como antroposófica, mas que usa muitos componentes naturais em sua fórmula. Quando minha filha era bebê, eu praticamente só usava produtos Weleda nela! A segunda é a brasileiríssima Cris Dios, que vem desenvolvendo, já há alguns anos, produtos capilares (e, mais recentemente, de maquiagem) seguindo esses princípios.

E também dar uma dica: nesta semana, entre os dias 7 e 10, vai acontecer no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, mais uma edição da feira Bio Brazil Fair. O evento fala de orgânicos como um todo (ou seja, tem alimentação, agricultura e outros temas no programa), mas também inclui vários stands de marcas de beleza. Estará aberta para o público em geral nos dois últimos dias, vale a visita para quem quiser conhecer ainda mais sobre o assunto!

Fotos: divulgação marcas (produtos) e divulgação Souvie (plantações orgânicas)

 

 

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