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Vanessa Ventura

As convidadas 1/3

Cacheada assumida e apaixonada por novidades de skincare e de maquiagem, eu vivo a paixão pela beleza desde criança, quando adorava passar creme anti-idade escondido. Além de blogueira de beleza (já conhece o Belícia?), sou formada em RP e pós-graduada em Gestão de Marcas, o que me fez desenvolver um olhar atento para o comportamento das empresas diante de seus consumidores. Será que as marcas já sabem lidar com as mulheres negras e com cabelo afro? No Blog das Convidadas, minha missão é mergulhar fundo nos lançamentos nacionais e internacionais e contar para você o que há de bacana para o nosso segmento. Chega de sofrer para encontrar a base certa ou o creme milagroso!

Maquiagem: base manipulada para pele negra, novidade bacana de beleza

Por Vanessa Ventura em 14/12 | 2 |

Uma base para pele negra com cor adequada, textura de acordo com seu gosto – mais leve ou mais pesada –, cobertura ajustável e, para completar, ativos especiais que tratam envelhecimento cutâneo, previnem manchas e combatem a acne. Parece sonho de beleza? Pois é essa a promessa das bases manipuladas por Felipe Mello, farmacêutico da Pharmapele Ondina (falamos mais sobre a inauguração dessa farmácia de manipulação neste post aqui).

Negro e morador de Salvador, Felipe conhece de perto as necessidades do nosso tipo de pele e as exigências das condições climáticas – além de termos propensão natural à oleosidade, o clima quente e úmido deixa ainda mais difícil combater o brilho excessivo e a formação de espinhas.

As bases da linha manipulada de maquiagem para pele negra estarão disponíveis a partir de fevereiro de 2018. Obviamente, já estou super curiosa para testar – mas, enquanto ainda não posso manipular a minha própria, conversei com Felipe sobre o lançamento e cuidados dermatológicos para o público negro. O papo rendeu!

VANESSA: Soube que, a partir de fevereiro, estarão disponíveis bases manipuladas, especialmente para pele negra, na Pharmapele Ondina. Em que fase da criação vocês estão?

FELIPE: Vamos começar a fazer os testes de cor em voluntárias. A pele negra tem várias tonalidades. Dermatologicamente falando, se classifica em fototipos 3 e 4, os mais escuros. Mas, do 3 até o 4, temos uma variante muito grande de nuances, com fundos específicos – amarelado, avermelhado… Além do mais, há outros fatores, como nível de cobertura e textura, que queremos variar para ampliar as opções. O plano é desenvolver uma base que não deixe o rosto brilhante e melado (peles negras são naturalmente mais oleosas) e que atue bem em climas diversos, incluindo os úmidos e quentes, como o de Salvador.

V: Suas bases serão cruelty free?

F: A ideia é essa. A Biodiversité, empresa de beleza que produz os ativos pigmentantes que usaremos nas bases, só cria produtos veganos e cruelty free. O bom é que, além de politicamente correto, esse tipo de componente tem menos risco de provocar alergia, por isso é muito mais versátil, todo mundo pode usar. Os dermocosméticos que vendemos prontos aqui na Pharmapele também são veganos – são produzidos pela Novexpert, empresa da mesma família da Biodiversité. Voltando às bases de maquiagem, nossas fórmulas terão argila verde e argila preta como base, e estamos testando resistência, absorção, cobertura das imperfeições, etc. E, além dos pigmentos cruelty free e das argilas, focaremos em componentes vegetais.

V: Para obter essa base, a cliente precisará solicitar a manipulação na hora ou ela estará disponível na prateleira?

F: Algumas opções estarão disponíveis na prateleira, mas em casos mais específicos, poderão ser manipuladas. Essa é a vantagem da manipulação, você pode adaptar a fórmula às suas necessidades. Dá para tanto alterar a cor como inserir Vitamina C, ativos anti-inflamatórios, mais proteção solar

V: E quem gosta de texturas diferentes, poderá customizar esse aspecto?

F: Temos também como ajustar. Podemos aumentar viscosidade, cobertura, controlar leveza e peso.

V: Qualquer farmacêutico pode desenvolver maquiagem, ou é necessária uma certificação específica?

F: Qualquer farmacêutico pode desenvolver, mas é preciso ter um avaliação da fórmula antes de iniciar a comercialização. Quando eu crio meus produtos, envio para um laboratório em SP e eles fazem a análise de microorganismos, para assegurar que não há contaminação, e a análise físico-química, que descobre se o PH está adequado. Essas são questões importantes, pois ao usar uma base contaminada com bactérias, o cliente terá a sua pele prejudicada – podem surgir espinhas, alergias, entre outros problemas, especialmente se houver lesões em sua superfície. É preciso tomar cuidado com produtos “orgânicos” feitos em casa, porque fora de um laboratório nós não temos esse tipo de controle. O produto orgânico do bem, certificado, não tem – ou inclui pouquíssimos – ativos químicos em sua composição. As certificações europeias mais reconhecidas, seguidas pelas empresas mais sérias, exigem 95% de ativos totalmente naturais na composição e, por isso, contar com uma delas na embalagem faz a diferença  – procure no rótulo quando for comprar. Muitos produtos intitulados orgânicos aqui no Brasil possuem metilparabeno, álcool, entre outros ingredientes, na sua composição…

V: E esses são justamente os compostos de que as pessoas que usam orgânicos querem fugir, por causa dos estudos que comprovam seus efeitos indesejáveis

F: Exato. Quanto mais mudarmos nosso padrão de alimentação e estética e mais formos cuidadosos na escolha dos nossos produtos de beleza, mais nos afastaremos dos riscos.

V: Quais cuidados nós, que temos pele negra, podemos aliar ao uso do filtro solar para evitar manchas – que são super chatas de tratar?

F: Recomendo o uso diário de tratamentos com Vitamina C, que é antioxidante e previne o envelhecimento da pele. Existe um mito de que a pele negra não precisa de cuidados, que é só lavar e pronto. Mas, na verdade, pessoas negras se mancham com muita facilidade, e não podemos começar o tratamento já a partir de um ácido agressivo, mas sim adotando um ácido de ação mais controlada, caso dessa vitamina, que irá homogeneizar a pele e evitar a hiperpigmentação. Só depois é que devem entrar as intervenções mais fortes. E, nesse momento, é importante buscar dermatologistas que se debrucem sobre a beleza negra, entendam realmente desse tipo de pele.

Foto: Vanessa Ventura

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