Blog das convidadas

Vanessa Ventura

As convidadas 1/3

Cacheada assumida e apaixonada por novidades de skincare e de maquiagem, eu vivo a paixão pela beleza desde criança, quando adorava passar creme anti-idade escondido. Além de blogueira de beleza (já conhece o Belícia?), sou formada em RP e pós-graduada em Gestão de Marcas, o que me fez desenvolver um olhar atento para o comportamento das empresas diante de seus consumidores. Será que as marcas já sabem lidar com as mulheres negras e com cabelo afro? No Blog das Convidadas, minha missão é mergulhar fundo nos lançamentos nacionais e internacionais e contar para você o que há de bacana para o nosso segmento. Chega de sofrer para encontrar a base certa ou o creme milagroso!

Cabelo cacheado em duas versões: post colaborativo com Karla Lopes

Por Vanessa Ventura em 03/05 | 0 |

Todo mundo sabe que o cabelo cacheado nem sempre foi figura bem quista no universo feminino. Relegados ao alisamento (quase obrigatório há alguns anos), os fios crespos só ganharam atenção do público e da indústria da beleza há pouco tempo, com o boom das blogueiras de transição capilar.

Eu, Vanessa Ventura (blogueira, criadora do Belícia e colaboradora do Beauty Editor), e Karla Lopes (blogueira e colaboradora do Chata de Galocha), vivenciamos esse momento histórico e passamos pela transição capilar. A possibilidade de assumir os afros naturais fez toda a diferença na nossa autoestima e nos trouxe resultados estéticos diferentes: enquanto eu decidi pela textura cacheada “de nascença”, com direito a franjinha e luzes discretas, a Karla apostou no megahair super longo, com ondas e bastante movimento.

Compartilhando a história dos nossos cabelos, esperamos inspirar você, leitora, a escolher a melhor opção de beleza para o seu amor próprio. Afinal, bom mesmo é optar pelo que nos deixa felizes ao olhar no espelho, né?

Karla Lopes – Cabelo com megahair

A história do meu cabelo

Assim como a maioria das meninas negras, eu alisei o cabelo muito cedo, pois sofria muito racismo por causa dele. Com dez anos, eu implorei a minha mãe para fazer o alisamento, e continuei fazendo o processo – afinal, a gente vira refém. Um pouco mais velha, eu comecei a entender a textura do meu cabelo e a entender o porquê de eu alisá-lo e de isso não ser uma escolha minha. Acho que esse é o primeiro passo para a gente ter noção do que realmente quer fazer com nosso cabelo. Tudo bem você querer alisar. A transição capilar é uma das coisas mais importantes que aconteceram com a estética negra nos últimos tempos, porque foi mais uma forma da gente reconhecer nossa negritude e não querer escondê-la por causa de racismo. Mas a gente também precisa ter essa consciência pessoal do que queremos fazer. Não cabe a quem tem cabelo crespo ou cacheado julgar quem quer continuar alisando, porque é uma escolha muito pessoal, íntima e difícil. Hoje em dia eu uso mega. Pensei muito em colocar – faz três anos que uso. Pensei em fazer transição, mas não consegui continuar e acabei desistindo do processo, o que é super normal, por ser um período difícil. Eu fiz a transição mais pelos outros me dizendo que eu deveria fazer, do que porque eu mesma tinha esse desejo.

Eu tenho plena consciência de que tem questões sociais envolvidas na escolha do meu cabelo, e é preciso ter noção de que isso existe – porém, o principal é fazer algo por você mesma e não pelos outros. Eu sou muito feliz com a escolha que fiz! Hoje sou apaixonada pelo meu cabelo. Eu lembro que eu comecei colocando pouquinho mega, bem tímida (risos), com 40 cm, um pouquinho acima do seio. Hoje, já pulei pra um cabelo de 60 cm, que vai quase no bumbum! Eu acho que meu cabelo deu um up no meu estilo, na minha autoestima. Essa mudança surgiu quando eu estava passando por um momento pessoal difícil, com muitos questionamentos, e aprender a cuidar desse novo cabelo ajudou muito no meu amor próprio. Foi uma decisão super importante!

EU AMO MEU CABELO PORQUE…

… ele realmente me fez encontrar um novo estilo. Me descobri uma mulher mais bonita, sexy, interessante, eu me olho no espelho e tenho uma visão muito mais bonita de mim – e não é só pelo cabelo, foi um conjunto de mudanças que me fez enxergar isso. Os fios ajudam, é claro, mas foi um “trabalho” de dentro para fora, de reconhecimento da minha capacidade, de quem eu sou, do que eu represento, dos meus planos… meu cabelo veio para coroar esse momento que estou vivendo.

PARA MIM, UM GOOD HAIR DAY É…

… quando eu acordo e vejo que não preciso fazer muita coisa para meu cabelo ficar bom. Isso acontece normalmente no dia seguinte à lavagem. Eu costumo dormir de coque, e quando solto, as mechas estão praticamente impecáveis. Fico super feliz, porque é muito cabelo, então dá um pouco de trabalho (risos) na manutenção. Se, por exemplo, eu não durmo de coque ou esse coque amassa durante a noite, eu tenho que recuperar as ondas no day after.

MINHA FINALIZAÇÃO FAVORITA DE TODAS…

… é a do day after, quando jogo um spray de água pra deixar ele úmido, venho com um creme para cachos e fico amassando os fios para eles recuperarem a forma. Isso faz com que os cachos fiquem bem definidos e o cabelo termine ainda mais cheio. Para mim, quando mais volume, melhor!

O MEU PRODUTO DO AMOR <3

Eu descobri que o Seda para cachos é o “meu” creme. É um dos melhores cremes para pentear que já usei, ele deixa o cabelo super definido, sem pesar. O brilho que dá é incrível! Shampoo, condicionador e máscara eu uso qualquer um, mas o creme de pentear TEM que ser o Seda!

Vanessa Ventura – cacheado natural

A história do meu cabelo

Como já sou colaboradora do BE há algum tempo, é possível que você, leitora, conheça a história dos meus fios. Eu comecei minha trajetória ainda na infância, com os alisantes infantis, que “baixavam a raiz”. Na pré-adolescência, migrei para os permanentes afro e, mais velha, para os alisamentos – primeiro, somente relaxando a raiz com guanidina e escovando; posteriormente, aderi a escovas progressivas e selantes. Sentia que meu cabelo ficava cada vez mais fragilizado e que os momentos de beleza eram raros. Isso, somado ao alto custo de manter um look alisado (eu pagava relaxamento na raiz a cada três meses, selante a cada dois e mil produtos para manter o cabelo hidratado, reconstruído e minimamente bem finalizado), me desencorajou aos poucos de seguir nessa vida. Porém, eu já era adulta, trabalhava, e pensava se estava velha para mudar radicalmente. Ver exemplos próximos de mim, como minha irmã e minha amiga Danielle, além de algumas blogueiras que começavam a despontar, estimulou minha coragem. Em 2014, entreguei meu cabelo para Ed Santana, do salão Descabelado, realizar o BC (big cut): saí de lá com um corte pixie que amei, a autoestima renovada e um amigo para a vida (Ed cuida dos meus cachos até hoje e é uma pessoa que adoro).

Do BC para cá, fui descobrindo a textura do meu cabelo, que era um mistério para mim, e aprendi vagarosamente qual corte funcionava melhor, como usar volume, quais produtos de beleza aplicar na finalização… Não foi um processo rápido, mas eu tinha todo o tempo do mundo! Em 2017, realizei o sonho de usar uma franja curta (nunca achei que teria franjinha cacheada) e, no momento, estou deixando os fios ganharem comprimento, pois nunca me vi cabeluda com cachos. Hoje, amo meu cabelo e não me vejo sem ele.

EU AMO MEU CABELO PORQUE…

… ele é a moldura da minha personalidade, garante minha autoestima e me projeta para o mundo. Todo mundo repara no meu cabelo! Eu, que sempre me vi tímida, após assumir os cachos que tornei alguém tranquila ao falar em público. Me sinto mais segura para impor minhas decisões e, é claro, estou muito mais bonita e dona de mim. Meu cabelo, minha vida!

PARA MIM, UM GOOD HAIR DAY É…

… bom, eu não tenho muitos days after perfeitos e nem me cobro por isso, mas um good hair day é quando o cabelo dá pouco trabalho para finalizar e já acorda mais ou menos no shape certo, sem amassar demais durante o sono. Geralmente isso acontece se durmo com ele solto, seco e finalizado com gel para modelar, sobre a fronha de cetim, e após o dia da lavagem!

MINHA FINALIZAÇÃO FAVORITA DE TODAS…

… sempre fico satisfeita quando finalizo com condicionador leave-in Healing Trauma Treatment, da L’Anza, seja com secagem ao natural ou com difusor. Eu faço uma fitagem bem meia-boca em todo o comprimento e, na franja, aposto no dedoliss para deixar tudo no lugar. Gosto de fazer esse processo inteiro alternando gel para modelar + condicionador leave-in, gel para modelar + óleo capilar/sérum e condicionador leave-in puro.

O MEU PRODUTO DO AMOR <3

Sem dúvidas, o Trauma! Me considero dependente dele e sempre compro a embalagem de um litro no Descabelado. Outros produtos que ando amando são o gel para modelar da Paul Mitchell, a gelatina da linha Match Respeito aos Cachos de O Boticário, o sérum This is an Oil non Oil da Davines e o condicionador de banana da The Body Shop.

 

Fotos: arquivo pessoal Karla Lopes e Vanessa Ventura

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